«A obdiência que outrora justificava o temor dos deuses exigem-na hoje dos empregados, com a mesma firmeza, as leis do mercado que substituíram esses mesmos deuses.» Belmiro de Azevedo, in Fortune
« Fundamos uma civilização em que a relação mercantil se substitui à relação humana.» idem
«É quando se pensa que a economia está ao serviço do Homem que o homen começa a estar ao serviço da economia.» Daniel Bessa, in Diário Económico.
O SpieUP'o9 deste ano contou ontem com a participação das formandas do curso de «Empreendedorismo e Gestão Empresarial», organizado pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) no âmbito do projecto «Empreender no Feminino».
Na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a tarde começou com o business panel «Empreendedorismo e Arte» que contou com a presença de João Seabra da empresa JumpWilly, jovem talento europeu'09, com Pedro Pardinhas da 20|21, uma empresa especializada na conservação e restauro de arte contemporânea, e com Nuno Azevedo, da Casa da Música, um espaço que dispensa apresentações.
Após uma breve exposição do trabalho das entidades que cada um representava, ficaram mais ou menos claras as experiências, as iniciativas e os percursos empreendedores dos oradores convidados. Menos claras ficaram as respostas à pergunta da Sandra que questionou os oradores sobre «o que fazer pelo empreendedorismo da mulher» e quis conhecer a realidade das empresas em causa.
Em jeito de brincadeira, lá foram dizendo que essa questão não se colocava já que a paridade acontecia espontaneamente e era naturalmente respeitada, enquanto que Nuno Azevedo acrescentava um «vamos ter de nos habituar» relativamente à presença das mulheres nas empresas.
Na minha opinião, não deixa de ser importante reflectir sobre como as apresentações dos oradores - num dia em que se falava de empreendedorismo, criatividade e arte - foram conduzidas de forma monocórdica, passiva e pouco apelativa e criativa. Se o objectivo era motivar os jovens nas suas capacidades empreendedoras e criativas, penso que os resultados ficaram aquém das expectativas.
A tarde do SpieUP'o9 continuou com a Grande Conferência "Doing business in troubled times" na Faculdade de Economia do Porto e contou com a presença de Daniel Bessa, economista e ex-ministro, Belmiro de Azevedo, do Grupo Sonae, Henrique Neto, da Iberomoldes, de João Picoito, da Nokia Siemens Networks e de José Pinto dos Santos, investigador no MIT, nos E.U.A.. Aguardavam-se as intervenções dos oradores com expectativa e depois dos problemas sonoros ultrapassados ficaram algumas ideias-chave.
Para Belmiro de Azevedo, o momento que vivemos é de o «tempos perturbados» e que para cada um importa acoplar conhecimento de várias áreas, «de vários departamentos», para dirigir uma empresa ou chegar a director geral.
João Picoito reforçou que a crise e a globalização obriga-nos «a sair da zona de conforto» e que «o empreendedorismo tem de estar ligado ao conhecimento». Salientou ainda que «o que vai mais longe é o que consegue se adaptar à mudança, o que tem a capacidade de prever a mudança».
Já Henrique Neto, da Iberomoldes, partilhou a «tese pessoal de que o sector automóvel é fulcral para o mercado europeu», temendo pelo seu futuro já que «se deixar de existir provocará um forte desiquilíbrio na economia da Europa». Deixou ainda no ar uma série de questões e desafios ao público presente na grande conferência, na sua maioria jovens universitários das licenciaturas de gestão e economia, tais como «se a melhoria de vida do oriente é compatível com a qualidade de vida do ocidente» ou se, nesta «economia de mercado», «as grandes empresas podem ou não podem fechar».
Daniel Bessa reforçou muitas ideias ao longo da sessão já que «existe mais concorrência e mais globalidade» e o que se vive é «uma certa acelaração da história». Salientou que «o ciclo de vida dos produtos é mais curto» e que o «grau de estabilidade do futuro é menos certo». Para os jovens, aconselhou que «quem quer lançar um negócio, a crise entra necessariamente nas contas da instalação» já que é «mais difícil arranjar financiamento». Considera também que «a economia portuguesa está com um crescimento debilitado» e que o seu futuro «está muito nas empresas que irão surgir», pois estas «são necessárias a nível económico e social». Daniel Bessa sublinhou ainda a importância de «saber que tendências se vão manter, saber que tendências vão desaparecer e que tendências vão surgir», reforçando que «as tendências criam oportunidades». Mas no meio disto tudo «há que ter nervos de aço» e «há que fazer uma avaliação consciente das tendências». Apesar de tudo, lançou algumas luzes para o que será o futuro já que existem algumas coisas que não vão mudar como o facto do «mercado que está em crescimento ser o oriente» e que «continuarão a reinar os preços baixos». Lembrou ainda que o «limite do endividamento foi atingido» já que «gastámos o que não tínhamos a comprar o que não precisávamos». Ainda para quem quer empreender deixou a jeito de conselho que é importante ter consciência de uma ameaça séria, «a dificuldade em conseguir financiamento», mas relembrou que «o Estado está mais disponível» para colmatar essa lacuna e isso pode constituir uma oportunidade.
Finalmente, para José Pinto dos Santos, que interviu na conferência via vídeo desde Massachusetts, em tempos de crise como os que se vivem, «temos de parar um pouco, ler um pouco» e reforçou o que tem vindo a afirmar amplamente «temos uma coisa que os outros não têm: somos portugueses!» e isso faz de nós únicos.

Eng. Cláudia... excelente artigo. Parabéns!
ResponderEliminarSe calhar a malta da SpieUP vai pedir os direitos!!!